A análise tática como apoio essencial ao treinador de futebol

Palestra realizada na 3ª edição do Curso Scout

Análise tatico como apoio ao treiandorNa última segunda-feira, dia 30/11/2015, tive o prazer de retornar ao curso SCOUT – Análise de Desempenho no Futebol, realizado pela empresa THE360. O curso teve a sua 3ª edição neste final de semana e fui convidado mais uma vez para fazer a aula de encerramento do curso. Agradeço mais uma vez o pessoal da THE360 e ao meu amigo Luiz Carlos Cavalheiro, Analista de desempenho do Guarani-SP, que é o coordenador do curso.

Durante o curso os alunos possuem diversas aulas sobre análise de desempenho e também fazem uma aula prática, onde assistem um jogo IN LOCO e fazem algumas coletas de dados, que são apresentados em forma de seminário no dia da minha apresentação. Eu faço uma avaliação dos trabalhos apresentados e em seguida começo a minha aula.

Os alunos assistiram ao jogo Oeste 0 x 0 Paysandu, pela última rodada da série B deste ano. Os trabalhos ficaram interessantes, mas fiz algumas correções em relação as apresentações. Na minha visão, é melhor tentar mostrar mais informações com imagens do que escritas ou faladas. E para isso, apresentar desenhos grandes, onde o campograma (desenho do campo de futebol, com as informações inseridas nele) deve ter uma fácil visualização. Em muitos trabalhos os campos estavam pequenos e tínhamos dificuldades para entender o que estava nele. Outra correção é tomar cuidado para não deixar o relatório informal, com frases feitas como “a defesa não brinca em serviço…” , pois este tipo de comentário é para torcedor e não para comissões técnicas.

Feitas as avaliações, começamos a apresentação. A ideia principal da palestra é mostrar que o analista tem o dever de trazer dados qualitativos juntamente com dados numéricos. Muitas pessoas gostam de números de passes errados ou números de posse de bola. Mas esses números isoladamente não conseguem trazer uma real leitura da equipe, fazendo com que depois o treinador possa MELHORAR o desempenho da sua equipe. Devemos lembrar que este é o PRINCIPAL objetivo das análises: AVALIAR o desempenho, para que depois se consiga melhorar ou aperfeiçoar o seu rendimento.

Então começo falando sobre a organização do JOGO de Futebol e seus momentos (De maneira resumida aqui):
– Organização Ofensiva: momento o qual a sua equipe está com a posse da bola e deve chegar ao gol adversário;
– Transição Defensiva: Pequeno momento logo após a perda da posse da bola e como reage para recuperá-la;
– Organização Defensiva: Momento o qual está sem a posse de bola e busca se organizar para recuperar a mesma ou evitar com que o seu adversário faça um gol;
– Transição Ofensiva: Pequeno momento o qual a sua equipe recupera a posse da bola e como reage para atacar o seu adversário.

Momentos do jogo

Após isso procurei falar sobre o Modelo de jogo das equipes e a importância para o analista saber qual é o modelo de jogo. Isso porque o analista tem em suas funções fazer constante avaliação do jogar da equipe, mostrando ao treinador se realmente está acontecendo aquilo que ele e o clube querem, se a equipe está produzindo tal comportamento que lhe é pedida. Em mostrei para eles um exemplo de que um clube, aqui no Brasil, pode ter dois modelos de jogo muito distintos entre si em uma mesma temporada. No exemplo citei o São Paulo com Juan Carlos Osório, que tinha um modelo de jogo ofensivo, buscando estar sempre no campo de ataque, com um bloco Ofensivo bem definido e na transição defensiva uma rápida reação após a perda da bola para recuperá-la. E então falei sobre a mudança total do Modelo de Jogo com a chegada de Doriva ao comando da equipe, a qual tinha uma postura mais defensiva, com compactação em linhas baixas e quando perdia a posse da bola buscava se recompor rapidamente para se organizar defensivamente.

Modelos de jogo diferentes

Falei a eles também a importância de se saber o que é treinado e é pedido pelo treinador aos atletas. Pois não adianta o analista ACHAR que tal situação deveria acontecer de uma maneira e então ela acontece de outra maneira e ele levar ao treinador achando que isto é um erro, sendo que na verdade por der algo que o treinador deseja.

Por exemplo, no texto publicado aqui (Amplitude), eu fiz uma análise, de maneira informal e apenas para publicar aqui, a respeito da amplitude (ou a falta dela) do Corinthians na partida contra o Goiás. E publiquei a imagem logo abaixo. E então conversei uma semana depois com o Raony, meu colega de classe na pós-graduação, e que é um dos analistas da equipe campeã brasileira. Eu falei no texto a respeito de Jadson, que ao jogar aberto pela direita no meio campo, tem o costume de buscar muito o jogo por dentro, deixando sem amplitude a equipe. E então ele me disse que isso é treinado e é uma jogada que o Tite quer que aconteça. Jadson sempre “fechando” pelo meio campo e não “abrindo” pelas beiradas. Ou seja, eu iria errar feio caso apresentasse isso ao Tite sem saber o que ele pede aos seus jogadores.

Amplitude Corinthians 2

Então eu começo a falar de diversos conceitos (ou princípios) de jogo defensivos e ofensivos os quais eu julgo importantes os analistas conhecerem para poder fazer coletas de dados táticas, os quais podem me ajudar como treinador a avaliar o rendimento da minha equipe e ver se ela está tendo ou não os comportamentos que eu quero.

Disse também que na minha análise, gosto de separar por momentos do jogo e ver se aconteceram comportamentos positivos ou negativos, para levar ao treinador no intervalo do jogo. Por exemplo: No primeiro tempo minha equipe teve 5 lances de Transição Defensiva. E eu quero que neste momento do jogo a equipe baixe as linhas e se organiza defensivamente. No entanto, dos 5 lances que aconteceram, 4 deles a equipe tentou agredir o adversário, pressionando o portador da bola assim que perdemos a posse dela. Então aconteceu 4 vezes um comportamento que eu não desejo. Então na Transição Defensiva eu anoto 1 lance positivo e 4 lances negativos. Levo este dado ao treinador e mostro que estamos com problemas neste momento do jogo, o qual ele poderá no intervalo reorganizar a sua equipe da maneira que ele quer.

E para encerrar,  eu fiz uma montagem de treinamentos com dados interessantes que os alunos apresentaram em seus trabalhos e mostrei a eles como alguns dados que eles trouxeram podem ser importantes na melhoria da equipe durante a semana de treinos.

E você, o que acha sobre este tema? Gostou? Tem uma opinião diferente? Compartilhe conosco!

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Grande abraço

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